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  • Fernanda Mueller

Um voo cancelado me levou ao TWA hotel. Vivi a Era dos Jatos por um dia.


Lounge do TWA hotel (a aeronave antiga ao fundo foi transformada em um bar)

Eu me hospedei no TWA Hotel por acidente. Estava no aeroporto John F Kennedy, em Nova York quando recebi a notícia de que iria perder a minha conexão e fui realocada em um vôo para o Brasil somente no dia seguinte. Já estava cansada de carregar a minha mala de 30kg (e arrasada por pagar $100 em excesso de bagagem), quando fui informada, no balcão da cia aérea, que havia um novo hotel no Terminal 5 — o mesmo que eu estava. 


Não pensei duas vezes. Passei pelo longo túnel do aeroporto, bem no estilo do filme "Prenda-me se for capaz", e ao chegar no lobby do hotel parecia que havia entrado em um máquina do tempo que me transportara para os anos 60. 


Frank Sinatra tocava em looping, os funcionários vestiam uniformes antigos de piloto e comissárias de bordo e havia um painel analógico mostrando os horários de vôos (fictícios) no centro do lobby. Paguei o valor salgado da diária — $240 com todas as taxas — e segui para meu quarto, com vista para a pista de decolagens do JFK. Depois de me instalar e começar a explorar cada canto do hotel, foi que eu entendi onde estava. 


O histórico TWA Flight Center transformado em hotel


A Trans World Airlines foi uma das companhias aéreas mais conhecidas do mundo, por tornar as viagens de avião muito mais acessíveis para a época. Em 1962, o arquiteto Eero Saarinen criou o TWA Flight Center — mais do que um terminal, o projeto foi um monumento para a cia aérea. 


O terminal, no entanto, não foi capaz de acompanhar o crescimento dos aviões a jato e fechou em 2001.  Felizmente, a estrutura arquitetônica foi colocada nos Registros Nacionais dos Estados Unidos dos Lugares Históricos, impedindo a sua demolição. 


Foi só em 2015 que o Flight Center começou a ser reformado para se tornar o TWA hotel, inaugurado em maio de 2019 — uma forma de manter vivo esse ícone da aviação. O espaço é realmente uma réplica da estrutura original, basta comparar com as fotos e vídeos da época. Cada detalhe foi cuidadosamente restaurado.


Foto do TWA Flight Center em 1968. Créditos: Ullstein Bild.

O TWA hotel


O centro do lobby foi transformado em um cocktail lounge. O espaço também conta com um café com opções de lanches rápidos e um restaurante, o Paris Café, do renomado chef com estrela Michelin, Jean-Georges Vongerichten. Para quem quer uma experiência ainda mais diferenciada, precisa conhecer o bar dentro de uma aeronave antiga, a famosa Connie L-1649A, que fica na parte externa.


Cada canto do hotel tem opções de lazer e muita história: um pequeno museu, com informações sobre a construção do Flight Center, exposição de uniformes antigos da tripulação, sala de jogos e cabine fotográfica. Para completar, tem ainda uma piscina no terraço — que eu não tive coragem de usufruir, pois o dia estava congelante.


Piscina do TWA hotel com vista para a pista do aeroporto JFK

Os quartos não ficam para trás em elegância. A decoração vintage tem móveis projetados pelo próprio Eero Saarinen. Mas o que eu realmente aproveitei do quarto foi a cama. Tive uma das melhores noites de sono da vida, depois de tanto andar pelo aeroporto carregando minha mala e ainda ficar explorando o hotel.


Se você é realmente apaixonado por aeroportos e a história da aviação, tenho uma ótima notícia: não é necessário pagar a diária de $240 para desfrutar dessa experiência! Todos têm acesso ao lobby do hotel, com exceção da piscina no terraço. Basta pegar o túnel do tempo no terminal 5 do JFK, sentar no bar, pedir o seu martini e viver o glamour da era dos jatos.



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